quinta-feira, 16 de julho de 2026

DONALD BYRD - SLOW DRAG

O trompetista Donald Byrd ocupa um lugar de destaque entre os representantes do "Blue Note sound" dos anos '60, tendo gravado mais de 30 álbuns em seu nome, sem contar as inúmeras participações como sideman. Este disco representa um dos últimos suspiros do hard bop purista do músico, antes dele mergulhar de cabeça no jazz-funk e na fusão comercial dos anos 70.

Desde os primeiros segundos da faixa-título, Donald Byrd deixa claro qual é o objetivo aqui: construir um groove irresistível, daqueles que fazem o corpo balançar quase involuntariamente.

A abertura é simplesmente fantástica. Com quase dez minutos de duração, "Slow Drag" é uma celebração do swing em andamento relaxado, mas cheio de personalidade. A música avança sem pressa, permitindo que cada músico encontre espaço para desenvolver suas ideias. E, no meio dessa atmosfera descontraída, surge um detalhe que torna a gravação inesquecível: Billy Higgins.

O lendário baterista não se limita a marcar o ritmo. Em diversos momentos, ele faz comentários espontâneos, brinca, solta expressões como o famoso "your mama" e transforma a sessão em algo que parece uma reunião entre amigos. É um daqueles raros casos em que a descontração do estúdio foi preservada na gravação, acrescentando uma dose enorme de humanidade ao álbum.

Donald Byrd atravessava uma fase extremamente inspirada. Seu trompete combina elegância, precisão e um lirismo que nunca soa exagerado. Cada solo é construído com inteligência, valorizando a melodia tanto quanto a técnica. Byrd não sente necessidade de impressionar pelo excesso de notas; ele conquista o ouvinte pela beleza das frases e pelo domínio absoluto do tempo.

Ao seu lado está um quinteto de primeira linha. Sonny Red oferece um contraponto perfeito com seu saxofone alto de timbre levemente ácido e muito expressivo, enquanto Cedar Walton demonstra por que sempre foi um dos pianistas mais refinados do hard bop. Seu toque é sofisticado, econômico e cheio de bom gosto.

Na cozinha, Walter Booker e Billy Higgins formam uma seção rítmica impecável. Booker sustenta o groove com um contrabaixo firme e pulsante, enquanto Higgins entrega uma bateria repleta de balanço, criatividade e pequenas sutilezas que passam despercebidas numa primeira audição, mas fazem toda a diferença.

O repertório também merece destaque. As releituras de "Secret Love" e "My Ideal" revelam um Donald Byrd extremamente sensível, capaz de transformar standards conhecidos em interpretações elegantes e pessoais. Já "Book's Bossa", composta por Walter Booker e Cedar Walton, presta uma deliciosa homenagem à bossa nova sem perder a identidade do hard bop americano. E "Jelly Roll", de Sonny Red, acrescenta uma dose extra de energia ao álbum com um tema vigoroso e cheio de personalidade.

Gravado nos lendários estúdios de Rudy Van Gelder, Slow Drag apresenta a assinatura sonora clássica da Blue Note: instrumentos perfeitamente equilibrados, excelente definição e uma sensação de proximidade que coloca o ouvinte praticamente dentro da sala de gravação.

Talvez Slow Drag não seja o álbum mais famoso da vasta discografia de Donald Byrd, mas é certamente um dos mais prazerosos. É um disco que privilegia o groove, a interação entre os músicos e a alegria de tocar jazz sem qualquer afetação. O álbum exala um clima incrivelmente descontraído, recheado de soul e blues.

Mais de cinquenta anos depois, continua soando incrivelmente fresco. Poucos álbuns conseguem transmitir tão bem a sensação de cinco grandes músicos simplesmente se divertindo enquanto fazem arte, ao ponto que, os quase 39 minutos da gravação parecem voar e deixam com aquela vontade de "quero mais".

GIOVANNI MIRABASSI TRIO - LIVE @ THE BLUE NOTE, TOKYO
Alguns discos ao vivo registram um bom concerto. Outros conseguem transportar o ouvinte para dentro da plateia. Live @ The Blue Note, Tokyo pertence a essa segunda categoria. Desde os primeiros minutos, é possível sentir a atmosfera intimista de um dos clubes de jazz mais prestigiados do mundo e perceber que o trio vive uma noite de absoluta inspiração.

Gravado em abril de 2010, no lendário Blue Note de Tóquio, o álbum mostra Giovanni Mirabassi, Gianluca Renzi e Leon Parker tocando com um nível de sintonia que parece desafiar qualquer explicação. Não há exibicionismo, nem competição. Há apenas três músicos ouvindo uns aos outros com atenção absoluta e construindo a música em tempo real.

Quase todas as composições ultrapassam os oito minutos, permitindo que cada tema seja desenvolvido com calma, explorando nuances, silêncios e mudanças de dinâmica que só um grande concerto ao vivo consegue proporcionar. O resultado é um jazz que cresce lentamente, conquista o ouvinte e culmina em momentos de enorme intensidade emocional.

Leon Parker é um espetáculo à parte. Conhecido por sua abordagem minimalista da bateria, ele demonstra que criatividade vale muito mais do que quantidade de tambores e pratos. Seu kit reduzido produz uma variedade impressionante de timbres, enquanto o uso refinado das notas fantasma, dos acentos e dos espaços cria grooves hipnóticos. Em faixas como "Ny #1" e "Gold and Diamonds", fica evidente por que Parker é considerado um dos bateristas mais originais de sua geração.

No piano, Giovanni Mirabassi revela toda a influência de Bill Evans, mas sem jamais soar como um imitador. Seu fraseado lírico, profundamente melódico, carrega ecos da música clássica, da canção italiana e da chanson francesa. Há uma delicadeza constante em seu toque, mas também uma elegância rítmica que impede qualquer excesso de sentimentalismo.

Esse equilíbrio existe graças à seção rítmica impecável formada por Gianluca Renzi e Leon Parker. O contrabaixo de Renzi mantém tudo sólido e pulsante, enquanto Parker injeta um swing moderno, seco e extremamente preciso. A combinação cria um contraste fascinante: de um lado, o piano flutua com poesia quase impressionista; do outro, a bateria mantém a música firmemente conectada ao groove.

A qualidade da gravação merece destaque. É possível ouvir claramente a interação entre os músicos, a resposta calorosa do público japonês e até os pequenos detalhes da execução, tornando a experiência incrivelmente envolvente. É um daqueles discos que recompensam uma audição atenta, principalmente em um bom sistema de som.

Live @ The Blue Note, Tokyo é mais do que um excelente álbum ao vivo. É o retrato de um trio que alcançou um raro estado de equilíbrio entre técnica, emoção e comunicação musical. Cada solo parece nascer naturalmente da conversa entre os músicos, sem pressa, sem excessos e sem qualquer nota fora de propósito.

Para quem aprecia jazz contemporâneo acústico, sofisticado e profundamente humano, este álbum é uma pequena joia.

STEVE GROSSMAN - TIME TO SMILE

Considerado por muitos críticos como o ponto mais alto da carreira de Steve Grossman, o disco registra o saxofonista em plena maturidade artística. Gravado em Nova York em fevereiro de 1993 e lançado no ano seguinte pelo selo francês Dreyfus Jazz, o álbum é uma declaração de amor ao hard bop tradicional, em uma época em que o jazz seguia diversos caminhos. Grossman escolheu outro rumo: o da autenticidade.

Seu sax tenor é simplesmente impressionante. É impossível não perceber ecos de John Coltrane na intensidade e na profundidade harmônica, assim como a influência de Sonny Rollins na construção melódica e no senso de swing. Mas o mais interessante é que, em nenhum momento, Grossman soa como um imitador. Sua personalidade transborda em cada frase, com um timbre robusto, um fraseado extremamente fluido e uma energia que nunca sacrifica a beleza da melodia.

O repertório foi escolhido com enorme inteligência. A faixa-título, "Time to Smile", composição do pianista Freddie Redd, abre espaço para um dos momentos mais elegantes do disco. Grossman transforma a melodia em um longo discurso musical, alternando delicadeza e explosões de energia com absoluta naturalidade.

As composições próprias também impressionam. "415 Central Park West" e "Extemporaneous" revelam um músico que, além de grande improvisador, possuía uma voz muito particular como compositor. São temas sofisticados, mas acessíveis, que servem de plataforma perfeita para o talento de todo o grupo.

Entre os standards, Grossman oferece interpretações extremamente sensíveis de "I'm Confessin' (That I Love You)" e "Till There Was You". Em vez de reinventar essas canções, ele prefere explorá-las com respeito e enorme carga emocional, mostrando que maturidade também significa saber quando não exagerar.

O encerramento com "E.J.'s Blues", composição do lendário Elvin Jones, é simplesmente eletrizante. O quinteto parece tocar sem qualquer esforço, impulsionado por uma energia contagiante que resume perfeitamente o espírito do álbum. E que banda extraordinária.

No piano, Willy Pickens demonstra elegância e versatilidade, construindo bases sólidas e solos sempre inspirados. Tom Harrell participa de metade das faixas e acrescenta seu lirismo característico, dialogando com Grossman em momentos de rara beleza. Na seção rítmica, Cecil McBee oferece um contrabaixo firme e profundamente musical, enquanto Elvin Jones prova, mais uma vez, por que é considerado um dos maiores bateristas da história do jazz. Seu toque é vulcânico, cheio de nuances, capaz de incendiar a música sem jamais perder o controle.

A gravação também merece elogios. O som é limpo, natural e extremamente equilibrado. Cada instrumento ocupa seu espaço, permitindo apreciar tanto a força do tenor de Grossman quanto as sutilezas do restante do quinteto.

Time to Smile talvez nunca tenha alcançado a popularidade de alguns clássicos da Blue Note dos anos 60, mas isso pouco importa. Trata-se de um álbum atemporal, que demonstra como o hard bop ainda tinha muito a dizer nos anos 90. É um disco de músicos maduros, tocando sem vaidade, apenas colocando toda a sua experiência a serviço da música.

Para quem aprecia jazz acústico, intenso, elegante e profundamente humano, Time to Smile não é apenas uma excelente recomendação: é uma obra-prima escondida que merece ser descoberta e revisitada inúmeras vezes.

STANLEY TURRENTINE - LOOK OUT!

Há discos que impressionam pela complexidade. Outros, pela inovação. E há aqueles que simplesmente fazem você sorrir desde os primeiros compassos. "Look Out!", estreia de Stanley Turrentine como líder na Blue Note, pertence a essa última categoria.

Se você ainda não conhece Stanley Turrentine, prepare-se para ouvir um dos sons de sax tenor mais inconfundíveis da história do jazz. Seu timbre é grande, quente e cheio de personalidade. O ataque tem força, mas nunca soa agressivo gratuitamente; cada frase carrega a alma do blues, da música gospel e do soul. Poucos saxofonistas conseguiram "cantar" através do instrumento com tanta naturalidade. E basta a faixa-título começar para entender que estamos diante de algo especial. "Look Out!" funciona como um cartão de visitas perfeito: swing contagiante, frases irresistíveis e um sax que parece conversar diretamente com o ouvinte.

Mas um grande líder também depende de grandes parceiros, e o quarteto reunido para esta sessão é impecável. No piano, Horace Parlan oferece um acompanhamento absolutamente único. Depois de sofrer poliomielite na infância, ele transformou uma limitação física em um estilo próprio, baseado em acordes sólidos e um senso rítmico extraordinário. Seu toque econômico e profundamente bluesy parece ter sido feito sob medida para dialogar com Turrentine.

Na cozinha, George Tucker (baixo) e Al Harewood (bateria) formam uma das seções rítmicas mais consistentes da Blue Note no início dos anos 60. Eles não procuram reinventar a roda. Em vez disso, sustentam o quarteto com um groove firme, elegante e cheio de balanço, deixando espaço para que o sax brilhe sem nunca perder o pulso.

O repertório mantém o nível do início ao fim. "Minor Chant" é uma daquelas faixas que ficam na cabeça por dias. O clima noturno, quase cinematográfico, combinado ao sotaque blueseiro de Turrentine, cria uma atmosfera hipnotizante. Já "Little Sheri" revela outro lado do saxofonista: delicado, romântico e incrivelmente lírico. O som do tenor aqui é puro veludo, provando que intensidade e suavidade podem coexistir na mesma voz.

Gravado nos lendários estúdios de Rudy Van Gelder, "Look Out!" exibe todas as qualidades sonoras que fizeram da Blue Note uma referência. O sax de Turrentine parece ocupar fisicamente a sala, com aquele timbre gordo, levemente áspero e absolutamente humano que tantas gravações digitais modernas têm dificuldade em reproduzir.

Mais de seis décadas depois, "Look Out!" continua soando fresco, espontâneo e irresistível. É um álbum que não tenta impressionar pelo virtuosismo, mas pela musicalidade. Cada solo tem propósito, cada tema balança naturalmente, e o quarteto toca com uma química que faz tudo parecer fácil.

Se você gosta de jazz com alma, groove e melodias que permanecem na memória muito depois do álbum terminar de tocar, "Look Out!" é uma audição obrigatória. Stanley Turrentine já chegou à Blue Note como um mestre. E que estreia extraordinária foi essa.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

CHET BAKER - CHET

"Chet" é uma verdadeira obra prima do cool jazz e da sensibilidade musical. O álbum, gravado pelo trompetista norteamericano em 1959, entrega um clima de intimidade e introspecção. O que torna esse álbum especial é o fato que não é apenas um disco de um solista, mas uma conversa sussurrada entre gigantes.

O sax baritono de Pepper Adams, embora naturalmente robusto e pesado, é tocado com delicadeza, casando perfeitamente com o sopro aveludado e sem vibrato do trompete do Chet. O piano de Bill Evans é uma aula de economia e bom gosto. Ele não atropela nenhuma nota, criando os espaços e as harmonias ideais para o Chet flutuar.

A guitarra sutil de Kenny Burrell e o pulso firme e preciso do Paul Chambers no contrabaixo dão aquela sensação de veludo que envelopa o disco inteiro. Faixas como "Alone Together" e "It Never Entered My Mind" são de arrepiar. A faixa 2, "How High the Moon", é um verdadeiro oásis de swing leve dentro de um disco majoritariamente dominado por baladas lentas e melancólicas. A guitarra de Kenny Burrell abre o caminho com acordes muito limpos e balançados. O solo de Bill Evans aqui é incrivelmente melódico e rítmico. Ele responde ao trompete lírico do Chet com frases que parecem flutuar sobre a condução precisa da bateria de Philly Joe Jones. É uma interpretação que foca no frescor e na beleza da melodia, sem a agressividade do bebop tradicional.

Tanto Chet Baker como Bill Evans estavam profundamente mergulhados no vício da heroína durante essas sessões (gravadas entre dezembro de 1958 e janeiro de 1959). Naquela virada de ano, o vício de Chet já controlava a sua vida. Ele andava pelos estúdios de Nova York devendo dinheiro para traficantes e, muitas vezes, debilitado fisicamente. O produtor Orrin Keepnews relatou mais tarde que trabalhar com Chet nessa época era tenso, pois ele podia simplesmente não aparecer ou sumir no meio das gravações. No entanto, quando colocava o trompete na boca, a genialidade dele de alguma forma se sobressaía ao caos pessoal.

Bill Evans foi introduzido à heroína justamente no final dos anos 50. O mais irônico e trágico dessa história é que quem apresentou a droga a Bill Evans foi ninguém menos que Philly Joe Jones — o baterista que toca com ele neste exato álbum. Evans tinha profunda admiração por Philly Joe, o que facilitou o terrível primeiro contato.

A atmosfera no estúdio era fria. Bill Evans era um músico obsessivo, extremamente cerebral, focado na teoria musical complexa e muito reservado. Já Chet Baker tocava puramente por ouvido, instinto e intuição, quase sem ler partituras, guiado pelo puro lirismo.

Evans, além de sofrer com os seus próprios demônios e crises de abstinência, achava o desleixo e a falta de disciplina profissional de Chet irritantes. Por causa disso, embora a química musical entre eles tenha gerado essa obra-prima, eles mal se falavam nos bastidores. O clima era de puro profissionalismo silencioso sustentado por gigantes que se respeitavam musicalmente, mas que estavam destruindo as próprias vidas fora dali.

Mesmo com toda essa bagagem pesada e sombria por trás das cortinas, a música que sai das caixas de som é de uma paz e beleza celestiais. É o mistério do jazz: transformar a dor e o caos em pura poesia sonora. Álbum imperdível.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

DR VERITAS ACOUSTIC GUITAR STRINGS REVIEW


Uma das vantagens da globalização e da internet é que hoje é possível ter praticamente tudo ao alcance de um click. Depois de descobrir o site americano Stringsbymail, que entrega no Brasil por um frete inferior a muitos sites nacionais não tive dúvidas: comprar cordas no Brasil nunca mais! Além de poder comprar as melhores marcas, pela metade ou menos do preço temos também a chance de experimentar e adotar cordas de marcas que aqui no Brasil não são facilmente encontradas. Assim, na jornada rumo à corda ideal, resolvi dar uma chance para as DR VERITAS.
DR é um fabricante de cordas americano conhecido aqui no Brasil principalmente pelas cordas para baixo, mas na verdade o catálogo desta marca possui propostas muito interessantes para violão e guitarra também.
O que me instigou bastante a comprar as VERITAS foi a declaração de que estas cordas duram até 4 vezes mais comparado com as outras marcas graças a uma tecnologia que melhora a qualidade do fio interno (wire) resultando em intonação mais precisa e maior duração. As VERITAS Extra Light (0.10 - 0.48) são cordas handmade, feitas de bronze fosforoso e não encapadas. O que mais chama a atenção de imediato é um sustain longo e um timbre cristalino. Parece que estas cordas projetam o som muito mais que as Martin Marquis, só para dar um exemplo. Realmente fiquei impressionado com a claridade delas, tanto no strumming como no fingerpicking. Apesar de serem cordas extra-leves, achei elas um pouco duras ao toque. Esse foi o único defeito que encontrei, mas temos que reconhecer que a dureza é característica comum em muitas cordas de bronze e bronze fosforoso construídas com núcleo em forma hexagonal.
No geral posso afirmar que, como timbre e sustain, as VERITAS são as melhores cordas que toquei até agora. No quesito duração elas também são excelentes: estão tocando há mais de 2 meses e ainda tem ótima clareza e brilho. Meu único cuidado é passar uma flanela depois de tocar. Quanto à afinação, elas mantém bem.
Paguei pouco mais de US$ 7,00 nessas cordas e mesmo com o frete, comprando vários sets, o custo sai bem mais em conta do que comprar cordas aqui no Brasil, sem contar a diferença de qualidade!
Enfim, as DR VERITAS são um excelente jogo de cordas com timbre, sustain e durabilidade superiores.
Recomendo!

TIMBRE: 9/10
SUSTAIN: 9/10
TOCABILIDADE: 6/10
DURABILIDADE: 8/10

(Pós post) Esse jogo de cordas durou 4 meses antes de perder brilho e volume. Troquei por um jogo da S.I.T. (011-050) que avaliarei em seguida.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

TUDO (OU QUASE) QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE CORDAS DE VIOLÃO DE AÇO


COMO ESCOLHER AS CORDAS PARA O VIOLÃO

Quanto o tipo de corda usada pode fazer a diferença no som do violão?
Quais são as características que precisamos considerar ao comprar um encordoamento? Com que frequência precisamos trocar as cordas?
Esse post irá responder essas perguntas.

Antes de começar gostaria de dizer que essas considerações são frutos de experiência pessoal. Portanto elas refletem minhas opiniões e não constituem verdades absolutas. Até porque no exterminado mercado de instrumentos e acessórios, no final das contas muito é questão de gosto pessoal.
Dito isso podemos afirmar que as cordas, assim como outros acessórios (palhetas por exemplo) contribuem ao resultado final, ou seja o som que iremos obter do instrumento. Lógico que o maior responsável pelo som do violão é a madeira utilizada e a construção (cutaway, dreadnought, etc.). É claro que um violão construído com tampo em madeira maciça (solid top) terá um som mais encorpado e com mais projeção que um em laminado, assim como cada tipo de madeira traz características peculiares ao som.
Mas vamos às cordas. Existem três elementos fundamentais que é preciso avaliar na escolha do encordoamento:

1- MATERIAL
2- CALIBRE
3- CONFORTO
4- CONSTRUÇÃO


MATERIAL: no mercado das cordas para violão de aço existem inúmeras opções para todos os gostos. As cordas em BRONZE (80/20) são as mais antigas no mercado e são perfeitas para quem deseja um som forte e brilhante. Normalmente violões que possuem som quente, como os dreadnoughts da Martin ou da Taylor combinam bem com esse tipo de corda. São compostas de 80% de bronze e 20% estanho e têm cor tendente ao amarelo.

As cordas PHOSPHOR BRONZE possuem um som mais quente e menos metálico que as de bronze. Foram introduzidas no mercado pela D'Addario em 1974, e, apesar de mais recentes se tornaram rapidamente as mais populares. Sua composição é 92% bronze, cerca de 8% estanho e uma pequena porcentagem de fósforo e a cor é avermelhada. O fósforo tem o poder de oferecer proteção contra os elementos e isto resulta nas cordas phosphor bronze terem uma duração maior comparado com as de bronze. Normalmente combinam com violões cujo som tende ao brilhante, como os Takamine por exemplos, ou em geral violões em laminado, ajudando a equilibrar o som que carece de corpo nas baixas frequências.
Existem também as cordas "Silk And Steel" cuja característica é um som mais suave e uma menor tensão que as torna mais fácil de tocar, especialmente para quem toca fingerpicking. Em volta do fio de aço elas possuem uma camada de filamentos de nylon que dá uma sensação muito mais suave ao tato e que age como uma espécie de almofada amortecendo o som. Estas cordas são as que desgastam mais rapidamente.
Outra características que as cordas (tanto bronze quanto phosphor bronze) podem possuir é o revestimento (coating). Trata-se de uma camada de material protetivo que prolonga a vida útil das cordas, em alguns casos até 3 vezes a normal duração. Muitos porém argumentam que este revestimento tira um pouco do brilho das cordas. No fim, é mais uma questão de preferência pessoal.

CALIBRE: O tamanho das cordas é outro fator importante:
Os encordoamentos se dividem (podendo ter mínimas variações) em:

Extra light: .010 .014 .023 .030 .039 .047
Custom light: .011 .015 .023 .032 .042 .052
Light: .012 .016 .025 .032 .042 .054
Medium: .013 .017 .026 .035 .045 .056
Heavy: .014 .018 .027 .039 .049 .059

Cordas grossas possuem mais material para vibrar e portanto tocam mais alto. Mas ao mesmo tempo elas exercem uma tensão maior sobre o braço do violão resultando em cordas duras para tocar. São mais apropriadas para quem faz acompanhamento (strumming) e não muito para quem por exemplo está acostumado com a guitarra e quer usar o violão para fazer solos com bends, etc.
Cordas de maior tamanho também são indicadas para quem toca fingerpicking.
Cordas muito finas têm menor projeção do som, mas ao mesmo tempo também menor tensão sobre o braço do violão, sendo mais confortáveis de se tocar. Algumas marcas fabricam até cordas .009 para violão, no caso dos guitarristas mais radicais que não querem renunciar aos bends e aos solos rápidos.
Para quem é iniciante, um bom compromisso são as cordas .010, podendo eventualmente passar para .011 caso se deseje maior volume no som. Ao trocar as cordas procure sempre colocar tamanho correspondente a das cordas velhas. Caso contrário você terá que regular o braço do violão através do truss rod (por exemplo ao passar de um encordoamento .010 para um .011).
É bom usar cordas não muito grossas também em violões antigos ou vintage cujo braços possam sofrer com uma tensão muito alta.

CONFORTO: O conforto (Playability) é algo extremamente subjetivo e que depende de vários fatores, entre os quais largura do braço, tamanho das cordas, tipo de música tocada, etc. Portanto é impossível dizer que uma corda é ideal para todas as situações e para todo tipo de violão. É preciso ir experimentando cordas de tamanho, marca e material diferente, até chegar na corda que mais se aproxima do "ideal".

CONSTRUÇÃO: O padrão para cordas para violão de aço presentes no mercado é HEXACORE, ou seja, o filamento do núcleo da corda tem forma hexagonal. Este tipo de corda geralmente tem uma tensão forte e resulta dura ao tato. Mas existe outro tipo de corda, que só algumas marcas produzem e chamada de ROUND CORE, onde o filamento do núcleo é arredondado, para ter 100% de contato do fio envoltório com o filamento do núcleo, proporcionando alta sustentação e um som mais vintage. Esse tipo de corda costuma apresentar tensão menor a paridade de calibre, portanto resulta mais macia de tocar, possibilitando bends com mais facilidade.
Exemplos de cordas ROUND CORE são as MARTIN FX FLEXIBLE CORE SILK AND PHOSPHOR e as DR SUNBEAMS. São aconselhadas para iniciantes ou para quem passa do violão com cordas de nylon para as de aço e para quem deseja cordas mais macias que não machucam os dedos.


COM QUE FREQUÊNCIA PRECISAMOS TROCAR AS CORDAS?
Aqui também a resposta é: DEPENDE. Se você toca muito e faz shows ao vivo é importante que suas cordas tenham sempre bom timbre e brilho. Portanto é recomendado trocá-las com mais frequência, digamos uma vez por mês ou até uma vez a cada 15 dias. Se você não toca tanto assim, as cordas podem durar até 2 ou mais meses. Alguns sinais de que as cordas estão "morrendo" são quando elas ficam pretas e os dedos também ficam marcados de pretos depois de tocar, o som que fica"surdo", sem brilho ou pior ainda, ferrugem (especialmente nas cordas de aço).
Alguns cuidados que podem prolongar a vida útil das cordas são: antes de tocar lavar sempre as mãos com sabão. Depois de tocar, limpar as cordas usando um pano (possIvelmente de microfibra) que não solte fiapos e aliviar a tensão nas tarraxas (desafinando o violão) o suficiente para podê-las levantar e passar o pano em volta delas da ponte até o nut corda por corda. Também é um bom hábito repor o violão no case, evitando que as cordas fiquem expostas ao ar e à poeira, etc. Fazendo isso se evita o acumulo de sujeira debaixo das cordas.
Existem também produtos específicos para limpeza de cordas como o GHS Fret, o XLR8 da Planet Waves, o Cleaner da Dunlop, etc. que dão resultados bons, mas é bom considerar que nenhum deles faz o milagre de trazer de volta à vida o som de uma corda enferrujada ou já morta.
Alguns usam produtos como o WD-40 ou outros óleos anti-corrosivos spray, passando um pouco em um pano e passando o pano nas cordas, cuidando para não deixar esse óleo entrar em contato na madeira do violão e da escala (sempre melhor não arriscar!) e isso ajuda também.
É óbvio que a melhor solução continua sendo a troca para um novo encordoamento.
Também um bom hábito é, ao trocar o encordoamento, fazer a limpeza da escala e dos trastes do violão. Existem vários vídeos no YouTube sobre como fazer isso.
Por enquanto é isso. Proximamente irei testando e avaliando marcas de cordas e postarei aqui minhas impressões.
Boa música à todos!