sexta-feira, 17 de julho de 2026

ANDREW HILL - BLACK FIRE

Ah, a Blue Note dos anos '6o...Quantos álbuns extraordinários!

"Black Fire" é um desses. O disco foi gravado em novembro de 1963 e marcou a estreia de Andrew Hill na Blue Note. O produtor Alfred Lion enxergava Hill como um dos grandes compositores da nova geração, e esse álbum já mostra por quê. Nos anos seguintes, Hill gravou uma sequência de discos hoje considerados clássicos, como Smoke Stack, Judgment! e Point of Departure.

O quarteto é de altíssimo nível: Andrew Hill no piano, Joe Henderson no sax tenor, em uma das suas primeiríssimas gravações, Richard Davis no contrabaixo e Roy Haynes na bateria. O baterista originalmente escalado era Philly Joe Jones, mas um problema de agenda fez com que ele fosse substituído por Roy Haynes. Hoje é difícil imaginar o disco sem Haynes, pois seu estilo elástico e imprevisível combina perfeitamente com as composições de Hill.

O que torna esse disco especial é que ele não é exatamente hard bop, mas também não é free jazz. Andrew Hill cria composições com melodias angulares, ritmos inesperados e harmonias muito pessoais. Mesmo assim, a música nunca perde o swing.

"Pumpkin" abre o álbum de maneira quase enigmática. O tema parece torto à primeira audição, mas logo faz sentido, e Joe Henderson improvisa com enorme criatividade. "Subterfuge" é talvez a composição mais ousada do disco. O diálogo entre Hill e Roy Haynes é fascinante. "Black Fire", a faixa-título, é intensa e cheia de mudanças de direção, sem soar caótica. "Land of Nod" encerra o álbum de forma mais lírica, mostrando o lado contemplativo de Hill.
São 7 faixas ao todo, todas interessantes, mais 2 alternate takes.

Se você gosta de pianistas como Herbie Hancock, McCoy Tyner ou Cedar Walton, talvez estranhe Andrew Hill no começo. Ele evita soluções previsíveis: em vez de resolver as frases onde esperamos, ele cria tensão e a mantém por mais tempo. É justamente essa personalidade que faz dele um dos compositores mais originais da Blue Note dos anos 1960. E nada melhor que o álbum de estreia dele para conhecer esse grande artista que infelizmente nos deixou em 2007.

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